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Grávidas podem praticar exercícios?

 

Se as dúvidas sobre a gestação já são muitas... Imaginem quando o assunto é a prática de exercícios durante a gravidez... A avó recomenda repouso absoluto à neta... A mãe acha que só depois do terceiro trimestre a filha deve retomar suas caminhadas diárias... Já a manicure comenta que todas as suas clientes estão fazendo pilates durante a gravidez... “Para combater a desinformação e prevenir a adoção de condutas inapropriadas durante a gravidez, aconselhamos que a gestante converse com o seu obstetra sobre a prática de exercícios durante a gravidez. Ele  a conhece, sabe sobre sua condição clínica, com certeza, fará a recomendação médica mais apropriada”, defende o ginecologista e obstetra Aléssio Calil Mathias, diretor da Clínica Genesis.

De uma maneira geral, os especialistas não contra-indicam a prática de atividades físicas durante a gestação. E dentre todos os benefícios que já conhecemos, um estudo do Instituto de Saúde Pública da Noruega, em Oslo, apontou que a prática de exercícios durante a gravidez diminui o risco da mulher de dar à luz a um bebê com excesso de peso ao nascer. Para chegarem ao resultado, os pesquisadores avaliaram dados de 36.869 mulheres que tiveram gestações a termo. Os autores também ajustaram informações que poderiam interferir no excesso de peso, como idade materna, número de filhos, hipertensão, diabetes e pré-eclâmpsia, dentre outros.

As grávidas que participaram do estudo responderam a dois questionários sobre hábitos de atividade física entre a 17ª e a 30ª semana de gravidez. A análise dos dados revelou que quem se exercitava regularmente - pelo menos três vezes por semana em atividades como natação, caminhada, bicicleta e dança - teve um risco entre 23% e 28% menor de gerar um bebê com sobrepeso. “O dado mais interessante da pesquisa norueguesa reforça que a prática de atividades físicas é recomendada durante a gestação e oferece benefícios tanto para a mulher, quanto para o bebê”, reforça o obstetra Aléssio Calil Mathias.

Para a futura mamãe, os benefícios são muitos: a gestante ganha menos peso, melhora sua atividade cardiocirculatória, prevenindo, inclusive, quadros como diabetes gestacional e doença hipertensiva específica da gestação. “A atividade física durante a gravidez contribui também para que a mulher adquira melhor conscientização corporal, melhore sua auto-estima, sua resistência física para o parto, além de proporcionar uma recuperação pós-parto mais rápida”, destaca o médico.

De acordo com Mathias, a realização de exercícios físicos só é contra-indicada “quando a gestante não é praticante de atividades físicas antes da gestação, e, em virtude da gravidez, decide mudar sua rotina de forma agressiva, sem respeitar os limites de seu corpo. Casos em que a futura mamãe tem placenta baixa, descolamento placentário, sangramentos e trabalho de parto prematuro também são desaconselhados”, diz.

 


Que recomendações seguir?

 “A gestante pode realizar atividades físicas durante os nove meses. Quando a paciente já é habituada a praticar exercícios, não há nenhum inconveniente em dar continuidade durante a gravidez. Se ela decidir iniciar a atividade física durante o pré-natal, precisa receber orientação e acompanhamento apropriados”, diz Franz Paganini Burini, médico especialista em medicina esportiva, que também integra o corpo clínico da Genesis.

 A orientação para as gestantes é realizada sempre em conjunto com as recomendações do obstetra responsável. Não há uma fórmula única. “Alguns obstetras consideram a necessidade de descanso da gestante durante as 12 primeiras semanas de gravidez. Outros permitem que aquelas já praticantes mantenham o ritmo, porém com uma intensidade reduzida, principalmente no contexto de impacto. Alguns especialistas defendem, ainda, a necessidade de interromper a prática de exercícios no último mês de gestação”, explica Burini.

 "Acompanhamos e orientamos, inclusive, aquelas mulheres que eram sedentárias e que decidiram se exercitar, a partir da notícia da gravidez”, conta Franz Burini.  Segundo um estudo publicado no Jornal da Academia Americana de Cirurgiões Ortopedistas (JAAOS), essa atitude de não ficar parada na gravidez aumenta a probabilidade da mulher incorporar a prática de exercícios no seu dia-a-dia, depois que o bebê nascer. Os cientistas acreditam que, ao se tornar mãe, a mulher reavalia seu estilo de vida, motivada por cuidar não só da própria saúde, como também do bebê.

“O ideal, no entanto, é que a mulher que pretende engravidar comece a fazer algum tipo de exercício físico, principalmente os de característica aeróbica (caminhar) a fim de melhorar o condicionamento cardiovascular. Os benefícios desta atitude vão desde a prevenção de doenças, como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia, até um menor ganho ponderal, no período gestacional”, conta Burini.

 “Após a avaliação das condições de saúde da gestante, podemos orientá-la a fazer o melhor exercício conforme o seu perfil  - algumas gestantes preferem caminhadas, outras hidroginástica ou até mesmo ioga, atividades muito indicadas por não se tratarem de exercícios de impacto e que trabalham mente e corpo de um modo equilibrado. Na verdade, o melhor exercício é o que é feito! É importante que a gestante pratique algo que lhe proporcione, além de saúde, prazer, e que preferencialmente, seja supervisionada por um profissional capacitado”, destaca o especialista em Medicina do Esporte.

 Sobre a  frequência da realização dos exercícios, Franz Burini destaca que “a atividade física praticada durante a gestação também deve ser praticada de maneira regular, na maioria dos dias da semana, mas sempre respeitando o descanso do corpo”.

 Para realizar exercícios com segurança durante a gestação, é essencial que a praticante seja orientada sobre vestimenta e alimentação apropriadas. “É importante que a gestante seja orientada quanto à importância de uma alimentação saudável e equilibrada. Ela nunca deve se exercitar em jejum. A hidratação, antes e depois dos exercícios, também é fator considerável”, recomenda Franz Burini.

“É essencial que a futura mamãe utilize roupas confortáveis e leves que permitam a evaporação do calor. Também recomendamos o uso de um tênis confortável e a utilização de um top que possa sustentar de maneira confortável os seios”, destaca o médico.



Fonte: MW Consultoria de Comunicação-Saúde
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